Quando o governo aprova o orçamento anual, muitos credores acreditam que todos os precatórios receberão pagamento ao longo daquele exercício.
Entretanto, na prática, isso quase nunca acontece dessa forma.
Isso ocorre porque, em diversos anos, o valor reservado para precatórios simplesmente não acompanha o volume total de dívidas existentes.
Por esse motivo, surge uma dúvida legítima.
O que acontece com os precatórios que não cabem no orçamento?
Eles desaparecem?
Eles mudam de posição na fila?
O credor precisa tomar alguma providência?
Justamente por isso, entender essa dinâmica é essencial para quem possui um precatório e quer atravessar o ano com menos ansiedade e mais previsibilidade.
Por que o orçamento define o pagamento dos precatórios
Antes de tudo, vale lembrar que o Poder Judiciário expede o precatório após o trânsito em julgado do processo.
Além disso, o artigo 100 da Constituição Federal organiza todo o regime de pagamento, incluindo inclusão orçamentária, ordem cronológica e prioridades.
Portanto, sem previsão no orçamento, o ente público não consegue pagar.
Em outras palavras, o orçamento funciona como base operacional do sistema de precatórios.
Por que o orçamento nem sempre é suficiente
Primeiramente, o estoque de precatórios cresce ano após ano. Além disso, os entes públicos enfrentam limites fiscais.
Somado a isso, decisões políticas definem quanto será destinado para essa despesa em cada exercício.
Como consequência, o valor disponível frequentemente fica abaixo do total devido.
O Conselho Nacional de Justiça divulga dados atualizados sobre o estoque de precatórios no país.
O que acontece quando o orçamento não cobre todos os precatórios
1) A fila continua existindo
Antes de mais nada, é importante esclarecer um ponto.
A ordem cronológica não reinicia.
Pelo contrário, o sistema mantém a fila conforme a data de apresentação dos precatórios.
Assim, quem entrou antes permanece à frente.
Da mesma forma, quem entrou depois continua atrás.
2) O ente público paga até onde o orçamento permite
Na prática, o ente público inicia os pagamentos respeitando a ordem.
Entretanto, quando o valor reservado se esgota, os pagamentos param.
Consequentemente, os precatórios seguintes ficam para outro exercício.
3) O precatório não pago não some
Mesmo sem pagamento naquele ano, o crédito continua válido.
Além disso, o processo permanece ativo.
Da mesma forma, o valor continua sofrendo atualização conforme a lei.
Portanto, não ocorre perda de direito.
O que ocorre é apenas adiamento.
4) O crédito segue para o exercício seguinte
No ano seguinte, o ente público volta a reservar valores para precatórios.
Nesse momento, entram tanto os precatórios antigos quanto os novos.
Como resultado, a fila reúne créditos de diferentes anos.
Ainda assim, a ordem cronológica continua sendo respeitada.
O orçamento insuficiente muda a posição do meu precatório?
Não. O orçamento insuficiente não empurra ninguém para trás. Além disso, ele não permite ultrapassagens arbitrárias.
Na prática, parte da fila recebe pagamento. Enquanto isso, outra parte permanece aguardando.
Portanto, a posição relativa entre os credores se mantém.
Existem prioridades mesmo quando falta orçamento?
Sim.
Mesmo em cenários de restrição, continuam válidas as prioridades previstas na Constituição.
Entre elas:
- Precatórios alimentares
- Idosos
- Pessoas com doença grave
- Pessoas com deficiência
Assim, esses créditos recebem preferência dentro dos limites legais.
O credor precisa agir quando o orçamento é insuficiente?
Em regra, não.
O fluxo ocorre automaticamente.
Ainda assim, é altamente recomendável que o credor:
- Acompanhe o processo
- Confirme se o precatório entrou no orçamento
- Verifique se possui prioridade
- Mantenha dados atualizados
Dessa forma, evita-se problema no momento do pagamento.
O que esse cenário significa na prática
Na prática, isso significa três coisas principais.
- Primeiro, o prazo pode se alongar.
- Segundo, a previsibilidade diminui.
- Terceiro, o planejamento financeiro ganha ainda mais importância.
Por isso, muitos credores adotam dois cenários.
Um cenário sem pagamento naquele ano.
Outro cenário com possibilidade de pagamento.
Assim, a vida financeira não fica presa a uma única expectativa.
Quando antecipar pode fazer sentido
Em alguns casos, antecipar pode ser estratégia.
Especialmente quando:
- o precatório está distante na fila
- o orçamento claramente não comporta o crédito
- existe necessidade imediata de liquidez
- a proposta passou por diligência
Por outro lado, antecipar sem entender fase, risco e valor líquido costuma gerar prejuízo.
Atenção a promessas fáceis
Em períodos de orçamento apertado, aumentam promessas de liberação rápida.
No entanto, tribunais e órgãos públicos não cobram taxa para liberar precatório.
Confira a campanha do CJF contra golpes clicando aqui.
Logo, qualquer pedido de dinheiro antecipado indica fraude.
FAQ: Orçamento não cobre todos os precatórios
Perco meu precatório se não for pago no ano?
Não. O crédito continua válido.
Vou para o fim da fila?
Não. A ordem cronológica se mantém.
O valor diminui?
Não. O valor continua atualizado.
Posso exigir pagamento imediato?
Não. O regime constitucional define o pagamento.
Vale a pena antecipar?
Depende do seu cenário.
Quando o orçamento não alcança todos os precatórios, informação vira proteção.
Se você tem um precatório e quer entender se o orçamento atual comporta o seu crédito, em que posição você está na fila e quais caminhos fazem sentido no seu caso, fale com a Ativos. Nossa equipe realiza uma análise completa, com suporte jurídico, para que sua decisão seja tomada com clareza e segurança.
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